terça-feira, 3 de julho de 2007

Um poema do começo do ano

Filho da Metrópole
Bruno Otsuka

Sou filho da metrópole
Já nasci contaminado, doente
Todas as minhas ânsias
São urgentes

Não há em quem possa confiar
Não há alguém para crer
Sabiamente não procuro respostas
Aguardo pacientemente perecer

Não pode perder o rumo
Aquele que nunca soube o caminho
Não tem como se perder
Aquele que já nasceu sozinho

Sou filho da metrópole
Não se encontra quem já nasceu perdido
Paranóico num oceano de gente
Na nascente eu já estava poluído

Sociofóbico e inativo
Nunca me sinto bem vindo
Sem lar, existindo sem motivo
Apavorado, peregrino sem sentido

Sou o que restou de uma epidemia
Sou advindo da mais rubra hemorragia
Internamente corrosiva
Sou o abrigo da agonia

Sou cria de uma cultura de abandono
Mutação da mais devastadora doença
Cultura de estereótipos e indiferença
Sou o resultado da mais niilista descrença

Sou fruto dessa cidade, cárcere seletivo
Onde cada presença pesa mais que qualquer ausência
São todos pálidos os sorrisos

Filho da metrópole que esmorece em sangria
Noites mal dormidas esmaecendo em sono denso
Indisposição perfumando cada dia

Sou resultado da mais profunda desarmonia
Caminho e tenho sonhos inalcançáveis
Semeando o abismo que angustia

Sento-me nos bares e bebo para conseguir dormir
Olho as construções e ouço as músicas que alimentam
Vejo um mundo, sinto a brisa no rosto e lembro das crianças
Nada são senão poços infindos exalando desesperanças.


12-1-2007

Um comentário:

Yachan disse...

'..Olho as construções e ouço as músicas que alimentam...'

a musica alimenta a alma.
ela branda com ruidos.
defendendo nossos prazeres e pequenos desejos
tornando o mundo melhor


'...Vejo um mundo, sinto a brisa no rosto e lembro das crianças
Nada são senão poços infindos exalando desesperanças...'

as crianças, inocentes e sonhadoras
com elas esta a semente da felicidade e o segredo da vida
a beleza do sol, a graça da lua.
entre contos e fabulas elas fazem do mundo um lugar bom de se viver.
sem dores.
elas sorriem pq veem vc sorrindo.