Filho da Metrópole
Bruno Otsuka
Sou filho da metrópole
Já nasci contaminado, doente
Todas as minhas ânsias
São urgentes
Não há em quem possa confiar
Não há alguém para crer
Sabiamente não procuro respostas
Aguardo pacientemente perecer
Não pode perder o rumo
Aquele que nunca soube o caminho
Não tem como se perder
Aquele que já nasceu sozinho
Sou filho da metrópole
Não se encontra quem já nasceu perdido
Paranóico num oceano de gente
Na nascente eu já estava poluído
Sociofóbico e inativo
Nunca me sinto bem vindo
Sem lar, existindo sem motivo
Apavorado, peregrino sem sentido
Sou o que restou de uma epidemia
Sou advindo da mais rubra hemorragia
Internamente corrosiva
Sou o abrigo da agonia
Sou cria de uma cultura de abandono
Mutação da mais devastadora doença
Cultura de estereótipos e indiferença
Sou o resultado da mais niilista descrença
Sou fruto dessa cidade, cárcere seletivo
Onde cada presença pesa mais que qualquer ausência
São todos pálidos os sorrisos
Filho da metrópole que esmorece em sangria
Noites mal dormidas esmaecendo em sono denso
Indisposição perfumando cada dia
Sou resultado da mais profunda desarmonia
Caminho e tenho sonhos inalcançáveis
Semeando o abismo que angustia
Sento-me nos bares e bebo para conseguir dormir
Olho as construções e ouço as músicas que alimentam
Vejo um mundo, sinto a brisa no rosto e lembro das crianças
Nada são senão poços infindos exalando desesperanças.
12-1-2007
terça-feira, 3 de julho de 2007
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Um comentário:
'..Olho as construções e ouço as músicas que alimentam...'
a musica alimenta a alma.
ela branda com ruidos.
defendendo nossos prazeres e pequenos desejos
tornando o mundo melhor
'...Vejo um mundo, sinto a brisa no rosto e lembro das crianças
Nada são senão poços infindos exalando desesperanças...'
as crianças, inocentes e sonhadoras
com elas esta a semente da felicidade e o segredo da vida
a beleza do sol, a graça da lua.
entre contos e fabulas elas fazem do mundo um lugar bom de se viver.
sem dores.
elas sorriem pq veem vc sorrindo.
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