quinta-feira, 8 de março de 2007

Noites de Boemia X – Cheiro de grama da madrugada

Foram tantos anos na mais profundíssima boemia
O céu de sempre, sempre o mesmo tantas vezes diferente
De cada momento, cada noite, cada noite uma lente
Tão semelhante em sua uniquidade
Que não posso lastimar

Agora que de tanto caminhar para nenhum lugar
Agora vejo que fui tão longe pra chegar até aqui
E como toda noite, olhando meu íntimo, lamento
Nem sequer saberes que todo meu pranto poeta
É dedicado a ti
Involuntariamente
Cada lágrima singular

E não há tempestade que apague meu amor
Mesmo jamais tendo tua presença
Se tempestadades não fazem diferença
Ao meu amor dantesco mesmo em tua ausência

Aqui
Sinto todo o abandono que a madrugada traz
-Por aqueles olhos-
O beijo doce da poesia
-Por aqueles olhos-
O abraço quente da boemia
Vejo esculpido no noturno firmamento
Teu rosto em onipotência e benção
A madrugada se preenche da tua luz e graça
Que contemplo e ofereço em meus versos
Meu canto desafinado de voz rouca
Rasgada de desilusão
Semeada de perdão
E a brisa fria alimenta as esperanças da nova aurora
E as quimeras de minha mente
Nesta praça arborizada
À luz da lua intermitente

Inspiro os poemas que nos tocam...
Ouço o som dos acordes que me acalmam...
As mais viscerais emoções que nos pausam
Bebo da bebida que embriaga-me a melancolia
Tento pescar no ar um verso, uma melodia fugidia
Tudo no momento que acho oportuno...

Hoje me sinto frágil, mas satisfeito
Um olhar de criança é capaz de me emocionar
Boemio, sim
-Tem tudo e tudo lhe falta-
As pessoas não sabem amar
Às vezes, entristecido,
Caminhando em meio às agressões
Choro, lastimo na penumbra
Quando na verdade
Um sorriso bastaria


Bruno Kendy Otsuka
www.darkdreams.com.br
12-11-2003


resgatei essa que estava perdida no tempo, eu gosto, me traz boas recordações.

Um comentário:

elenice mori disse...

A outra é perfeita (estou lendo da ultima postagem pra tras)
Esta é sua fala e seu jeito e sua forma de expressão
Carrega a emocao de um sentimento latente e verdadeiro
É a mais pura expressão de um momento que me parece mais real que a propria realidade