Escorre desespero da fonte
Inerte como tudo
Tratei de ir embora
Fiz o que pude
E foi nada
Claro como tudo
Sol refletido no vidro
De um prédio tão alheio
Que me causa náusea
Afaga meu rosto com navalha
Tira o que me resta de pureza
Infeliz sanguessuga
Traga contigo aquilo de bom
Que sobrou no seu peito
Sempre sobra um restinho
Grita como Jó queria
Peca como Judas
Canalha bastardo
Um
Sorriso
Bastaria
Quanto é belo
Teu sorriso
Que me vale amanhecer
Ouso viver
Sem memória
Seria vida?
Quadros jamais pintados
Caneta sem tinta
Violino sem corda
Gritei e não ouvi
Nenhum som
Foi angustiante
Como um sonho ruim
Respirei pela primeira vez
E não morri desde então
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
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