sexta-feira, 24 de novembro de 2006

12 Estrofes Livres

Escorre desespero da fonte
Inerte como tudo
Tratei de ir embora



Fiz o que pude
E foi nada
Claro como tudo




Sol refletido no vidro
De um prédio tão alheio
Que me causa náusea




Afaga meu rosto com navalha
Tira o que me resta de pureza
Infeliz sanguessuga




Traga contigo aquilo de bom
Que sobrou no seu peito
Sempre sobra um restinho





Grita como Jó queria
Peca como Judas
Canalha bastardo





Um
Sorriso
Bastaria






Quanto é belo
Teu sorriso
Que me vale amanhecer




Ouso viver
Sem memória
Seria vida?




Quadros jamais pintados
Caneta sem tinta
Violino sem corda



Gritei e não ouvi
Nenhum som
Foi angustiante


Como um sonho ruim
Respirei pela primeira vez
E não morri desde então

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